[Resenha] Além do Planeta Silencioso, de C. S. Lewis

rsz_alem_do_planeta_silenciosoAutor(a): C. S. Lewis

Tradutor(a): Waldéa Barcellos

Editora: WMF Martins Fontes

Páginas: 240

Sinopse: Neste livro, o primeiro da empolgante trilogia de ficção científica de C. S. Lewis, o Dr. Ransom, um professor da Universidade de Cambridge, é sequestrado por dois cientistas do nosso planeta e levado numa espaçonave ao planeta vermelho de Malacandra, que ele conhecia por Marte. Seus sequestradores planejam saquear os tesouros do planeta e oferecer a vida de Ransom em sacrifício às criaturas que lá vivem. Ransom descobre que a Terra é conhecida pelas criaturas de Malacandra como ”planeta silencioso”, cuja trágica história é conhecida por todo o Universo.

Mais informações no site da Editora Martins Fontes.

O professor e filólogo, Ransom (inspirado em Tolkien, que era amigo de Lewis), estava em um dia de folga, viajando a pé em direção a Sterk, em busca de uma estalagem para passar a noite. Já estava quase escuro, e após ter andado uns três quilômetros e meio, percebeu uma luz mais adiante. Ao se aproximar do que se tratava ser um chalé, uma mulher veio correndo da casa em sua direção, pensando que ele fosse Harry, o seu menino. Ao constatar que não era, pediu a ajuda de Ransom para ir onde Harry trabalhava, perto dali, pois ele ainda não tinha retornado.

O professor, pensando que assim talvez pudesse encontrar um lugar para passar a noite, além de ajudar a mulher, resolveu ir. Quando chegou ao local indicado, vendo que este estava trancado, resolveu transpor o portão e ver o que estava acontecendo. Foi em direção ao alpendre e tocou a campainha, como não houve resposta decidiu sentar e esperar, até que ouviu vozes e viu três pessoas brigando. Resolveu intervir.

Coincidentemente (ou não?), um dos que estavam na briga era um ex-colega seu, que o reconheceu e viu uma ótima oportunidade em sua chegada, convidando o professor então para se hospedar por lá e aproveitando para drogá-lo e levá-lo à Malacandra, somente para benefício seu e de seu “amigo”, Weston (pois aquele era um planeta cheio de riquezas). E mal sabia Ransom que este seria um momento decisivo de mudanças em sua vida..

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Até um tempo atrás, eu pensava que a única série de fantasia que C. S. Lewis tinha escrito havia sido As Crônicas de Nárnia. Porém eu estava engana, e sim, Lewis tinha escrito mais uma, a Trilogia Cósmica (ou Espacial).

Porém nessa, além dos elementos fantásticos, o autor mistura um pouco de ficção cientifica, com as viagens pelo espaço e os seres extraterrestres – os séroni, os hrossa e os pfifltriggi. Muito diferentes dos humanos na aparência, mas racionais da mesma forma. 

No início, demoramos um pouco a nos acostumar com as descrições e a geografia de Malacandra, muito diferente da Terra, mais luminoso e colorido, um mundo de aquarela saído do estojo de pintura de uma criança, como é dito no livro. Algo que contribui para imaginar tal planeta é a ilustração da capa, que mostra Hyoi, um hrossa com quem o protagonista faz amizade, levando Ransom até onde morava o seu povo.

“[..], voltou a atenção para a margem mais próxima, do outro lado do baixio. A massa roxa por um instante se assemelhava a um agrupamento de tubos de órgão, depois a uma pilha de rolos de tecido dispostos em pé e então a uma floresta de guarda-chuvas descomunais que a força do vento deixou pelo avesso. Ela estava em movimento. De repente, seus olhos aprenderam o que era. A coisa roxa era vegetação…”
– Pág. 54

Enquanto Nárnia está mais para a literatura infanto-juvenil, essa trilogia é mais voltada para os adultos, apesar de ambas serem recomendadas a todas as idades. Mas nem por isso deixa o mundo e as criaturas fantásticas de lado. Vários temas mais sérios são abordados, de uma forma que somos levados a refletir do porquê realizamos tais atos e reagimos de determinada forma.

“- […] Como seria possível haver alimento suficiente se cada um tivesse vinte filhotes? E como poderíamos suportar viver e deixar o tempo passar se estivéssemos sempre chorando pela volta de um dia ou de um ano, se não soubéssemos que cada dia numa vida preenche a vida inteira com expectativas e lembranças, as quais, na verdade, são aquele dia?”
– Pág. 100, conversa entre Ransom e Hyoi

Uma crítica ao comportamento humano ganancioso e egoísta, além da forma de sempre pensar que é superior a outros. Com esse livro revemos o que consideramos uma atitude normal e aparentemente racional.

Sem dúvidas, recomendo a todos! Além de uma história envolvente, cheia de descobertas e lições para a vida, ela se tornou atemporal, e trata de assuntos atuais. A respeito da edição, é linda e possui boa diagramação apesar das folhas serem brancas.

Classificação: modelo3-favorito

Onde comprar: Amazon e Saraiva (onde o preço está mais em conta, no momento)

Espero que tenham gostado! Já leram ou pretendem ler esse livro? Contem nos comentários! 😉

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